Eu poderia perfeitamente juntar e colar todas as peças do meu coração, mas que piada teria isso? Sei perfeitamente onde se encontra cada fratura e queria que, por incrível que pareça, alguém pegasse em todos os cacos com cuidado e os refizesse. Teria de haver expressão e química com o que fizera, porque se assim não fosse, nada seria sentido. Sentir que quanto mais longe estamos da pessoa que todos os dias procuramos afim, é completamente triste. E pior que isso é sentir um grande espaço dentro de nós e querer viver o que já passou, ou então, o que não conseguimos. Existe sempre a necessidade de partilhar algo de novo com essa pessoa. Mas o nosso orgulho, na maioria das vezes, é malvado e faz com que não façámos nada, somente esperar. E esperar sem lutar, é como ganhar o coração de alguém sem amar. E depois da espera vem a desilusão porque, contudo, ainda temos de esperar e esperar muito mais. Ainda sentimos os ventos frios e não alcançamos a primavera com o olhar. E, com isto, a vida continua a separar muitos amores que, na maioria das vezes, são sentidos e vividos de formas únicas. Não extravagantes, porque no amor o que for mais humilde é melhor. O amor não escolhe posses, dinheiro, clichês ou performance. Prefere o sujo, a normalidade e o pouco. Depois vem o sono, a hora de deixarmos o nosso corpo morto e repousar. Fica, assim, indefeso e desprotegido durante algumas horas, e é nessa altura que o medo entra por uma janela aberta numa noite de Verão ou somente pela brecha da porta que é desolada. O nosso corpo estremece e a nossa alma é invadida. Pensámos e temos pesadelos com coisas que são imaginação mas que, contudo, mais tarde tomam um chá e decidem habitar em nós. Persistem; pensámos e repensámos. Tornámo-nos paranóicos e a doença surge. E no fim para onde vai o amor? Encontra-se na outra margem do rio com um pequeno lenço branco a acenar.