domingo, 27 de fevereiro de 2011

 



Se à bem pouco tempo estava indecisa em pegar no telemóvel e ligar-te, então hoje estava mais confiante que nunca. Percorri o chão de cabis baixo enquanto me ia precavendo com o futuro. A verdade é que ainda estava tudo muito fresco e a retoma não tinha sido a melhor. Marquei o teu número e, a medo, fui levando o telemóvel ao meu ouvido. Tremia por todos os lados. Sei bem que não era medo, mas ansiedade. Sim, era isso, ansiedade! Queria ouvir-te, de uma forma fora do contexto, sentir-te e aconchegar o meu coração. Queria dizer-te as coisas mais delicadas e, acima de tudo, ficar contigo. Queria, queria muito. Mas usaste a minha citação contra mim e eu auto mobilizei-me. As lágrimas começaram a percorrer o meu rosto e os meus lábios reduziram-se ao mínimo para que nenhum grito engolido se fizesse ouvir. Aos poucos fui perdendo a força na mão e isso levou-me a deixar-te falar sozinho e fortemente deixar cair o telemóvel no chão. Senti a sua pancada em mim e senti a tua ausência, de novo.