sábado, 22 de janeiro de 2011
Passei à frente do espelho e a imagem que lá se encontrava já não era a minha. Em poucos meses tinha mudado muito. Tinha alterado a minha visão de uma vida que ficou para trás, tinha alimentado a alma com palavras, o espírito com amor. E para quê? Para agora, de repente, tudo voltar ao que era? Trago um sorriso aldrabado, uma alegria fingida. Hoje vou deixar de amar quem amo, de querer quem quero. Vou deixar de correr para a vida e simplesmente deixar que ela passe. Vou voltar a ser quem era, alegre. Vou desistir das lágrimas, de sofrer. Vou apenas ser alguém, que me representará nesta vida de teatros constantes, de frases estudadas, de sentimentos treinados e aprendidos, de voz bonita com palavras esperadas, corretas, de gargalhadas contidas e discretas.